quinta-feira, 19 de setembro de 2024
STF É ALVO DE CONGRESSISTAS DE DIRETA AMERICANOS!
segunda-feira, 16 de setembro de 2024
POLARIZAÇÃO POLÍTICA
As eleições para o Conselho Federal de Medicina chamaram bastante atenção ao longo desta semana. A repercussão tem sua razão de ser, pois traduz a polarização ideológica sobre a qual está fundada a política brasileira contemporânea. E ainda digo mais: nos convida a analisar aquele que é um dos maiores potenciais da extrema direita , algo que costuma ser subestimado pelas forças políticas democráticas.
Antes de desenvolver o argumento, algumas informações importantes.
No dia 7 de agosto, depois de uma disputa polarizada que movimentou a comunidade médica, o infectologista Francisco Cardoso foi eleito representante de São Paulo no CFM. O processo foi conflituoso e conturbado, envolvendo denúncias à Polícia Federal e difusão de fake news. Cardoso contou com o apoio organizado das mídias digitais bolsonaristas, inclusive com manifestações de lideranças como Luciano Hang, Nikolas Ferreira e Marcelo Queiroga.
Cardoso se notabilizou durante a pandemia por ter defendido o uso off label da cloroquina, ecoando o negacionismo do então presidente Jair Bolsonaro.
A extrema direita parece ter entendido a dimensão estratégica de um órgão como o CFM, cuja função é normatizar, disciplinar e fiscalizar o exercício da medicina, ou seja, definir o que os médicos podem ou não podem fazer. Em tempos de grandes disputas nas políticas de saúde pública, como no tema dos direitos reprodutivos das mulheres, o CFM é importante foro de decisão. O representante do principal estado da federação no Conselho será um bolsonarista de primeira ordem.
Mobilização semelhante já havia acontecido em outubro de 2023, na ocasião das eleições para o Conselho Tutelar, que tem a missão de cuidar dos direitos fundamentais das crianças e dos adolescentes. Todos sabemos como o Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, e a educação pública são pautas prioritárias para a guerra cultural travada pela extrema direita. Parlamentares bolsonaristas e igrejas evangélicas neopentecostais convocaram suas bases sociais a comparecerem às urnas e votarem em candidatos ideologicamente alinhados com os seus valores. Nunca uma eleição para o Conselho Tutelar havia contado com tamanha participação popular. O resultado foi bastante favorável à extrema direita.
As eleições para o Conselho Federal de Medicina e para o Conselho Tutelar mostram que a extrema direita está organizada e disposta a disputar diversos espaços de poder, a maioria ignorados pelas demais forças políticas. Podemos lembrar, também, da “super live” da família Bolsonaro em janeiro deste ano, onde Jair e seus três filhos lançaram o programa da “Ação Conservadora” para formação de militantes com foco nas eleições para os legislativos municipais.
A extrema direita parece ter entendido muito bem as lições de Antonio Gramsci, um dos dos principais representantes do pensamento político de esquerda. Segundo Gramsci, a melhor tática de dominação política não deveria se sustentar na violência e na supremacia militar, mas, sim, na lenta e progressiva conquista de “hegemonia” na sociedade civil, através da ocupação de diversos espaços de poder.
O pensamento político de Gramsci começou a circular na direita brasileira na década de 1990, através da atuação de Olavo de Carvalho, para quem a esquerda havia seguido os passos do italiano ao conseguir construir hegemonia em diversas instâncias de poder na Nova República, como nas universidades, na imprensa e no sistema judiciário. Carvalho convidava a direita a fazer algo semelhante, num movimento de apropriação das teses gramscianas.
Sei que muitos ainda tendem a tratar a extrema direita herdeira de Olavo de Carvalho na perspectiva do deboche e da caricatura, como se fossem um grupo de ignorantes e iletrados. Não acho que seja boa ideia. Essas pessoas estão lendo e estudando. Contam com financiamento e investem muita energia, e dinheiro, na formação ideológica de sua militância. Lentamente, estão ocupando posições estratégicas, avançando pouco a pouco no território da institucionalidade. Enquanto isso, as forças democráticas continuam voltadas quase que exclusivamente para o Poder Executivo, como se a hegemonia política fosse construída de cima pra baixo, quando o que acontece é exatamente o contrário.
Sim, a extrema direita leu e entendeu Gramsci, enquanto a esquerda parece tê-lo esquecido.
Por RODRIGO PEREZ OLIVEIRA, professor de Teoria da História na Universidade Federal da Bahia
AGRESSÃO EM DEBATE A PREFEITURA DE SÃO PAULO!
quarta-feira, 11 de setembro de 2024
HISTÓRIA
FUNDAÇÃO MAURICIO GRABOIS RELEMBRA A DATA DE UMA DAS DITADURAS MAIS SANGRENTAS DA AMÉRIA LATINA ARQUITETADA PELA DIREITA!
11 de setembro no Chile | Nesta data, em 1973, o governo de Salvador Allende foi derrubado por um golpe militar no Chile. Allende, o primeiro presidente socialista eleito democraticamente na América Latina, marcou a história com sua luta por justiça social.
Com o golpe, começava um dos regimes mais violentos da América Latina. A ditadura militar chilena durou 17 anos. Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça.
ECONOMIA
SAÚDE
Secretaria da Saúde reforça orientações para população em áreas com fumaça causada por queimadas
A Secretaria Estadual da Saúde (SES) acompanha os efeitos relacionados à qualidade do ar no Rio Grande do Sul
Publicação:
Estamos reproduzindo um alerta da secretaria da saúde:
Apesar do alerta, a equipe de Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) não identificou um aumento de casos de síndrome gripal não relacionados a vírus respiratórios, que podem ser influenciados por outros fatores, como a fumaça resultante de queimadas. Esses dados, porém, são parciais e sujeitos a alterações em decorrência da oportunidade de preenchimentos das notificações, bem como o hiato entre o início dos sintomas e a busca por atendimento.
Recomendações para a População
- Hidratação: aumente a ingestão de água para manter as vias respiratórias úmidas.
- Redução da exposição: evite atividades ao ar livre em horários de alta poluição e mantenha portas e janelas fechadas.
- Uso de máscaras do tipo cirúrgica, pano, lenços ou bandanas podem reduzir a exposição às partículas grossas, especialmente para populações que residem próximas à fonte de emissão (focos de queimadas) e, portanto, melhoram o desconforto das vias aéreas superiores. Enquanto o uso de máscaras de modelos respiradores tipo N95, PFF2 ou P100 são adequadas para reduzir a inalação de partículas finas por toda a população;
- Atividades físicas: evite exercícios físicos em períodos de elevada concentração de poluentes.
- Orientações a grupos vulneráveis: crianças, idosos e gestantes devem estar atentos a sintomas respiratórios e buscar atendimento médico imediatamente se necessário.
Poluição é fator de risco para doenças crônicas não transmissíveis
A OMS reconhece que a poluição do ar é um fator de risco crítico para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). No Brasil, as queimadas e os incêndios florestais são importantes fontes de poluição atmosférica e contribuem para a emissão de poluentes atmosféricos, resultando na exposição humana com efeitos diretos e indiretos na saúde, meio ambiente e oferta de serviços de saúde. Grupos populacionais mais suscetíveis como crianças, idosos, gestantes, indivíduos com doenças cardiorrespiratórias, de baixo nível socioeconômico e de trabalhadores ao ar livre podem estar sob maior risco de apresentarem algum efeito na saúde relacionado à poluição do ar.
AINDA FALANDO SOBRE NATUREZA
QUEIMADAS
POESIA
Liberdade devia ter
A força da expressão
Pra que se usasse no canto
O total da inspiração
Se o canto brota de dentro
Pra fora se faz sair
Senhores cortam pedaços
Que a gente volta a engolir
Se o canto vem natural
Das guerras, fome ou amores
Entendam como consolo
Não calem a voz dos cantores
Pra que o canto liberdade
Rebrote nas faculdades
Na voz de novos senhores
Eu quero que o meu canto
Seja um potro campo afora
E não um cavalo manso
Tocado à força de esporas
Eu quero dos grã-senhores
Maior sensibilidade
Pra ver o canto liberto
Cantando toda a verdade
REMINISCÊNCIAS
Toca Maria Fumaça
Mata minha ânsia de piá
Estamos entre estações
Do Itapevi e Jacaquá
Passa o Tigre o Passo Novo
Mais um passo e estamos lá
Meu Alegrete me espera
Com sua linda estação
Onde gente chega e parte
Comi diferente emoção
Quem chega conforta a alma
Quem sai parte o coração
Quero ir na praça grande
Da Intendência e da Matriz
Ver os arcos coloridos
Das águas do chafariz
E rezar no monumento
Aos heróis do meu país
Quero ouvir o Caruncho
Apitar pedindo plata
Vou na pracinha da ABA
Dar um pão para o Batata
Que, do tio lá da Sampaio,
Ganhou mais uma gravata
Quero matinê no Glória
Sorvete Bacachiri
Passear na Ipiranga
- Fazer “futi” por ali
Quero lembrar o Alegrete
Dos meus tempos de guri
*Moacir D’Ávila Severo é poeta. Um dos fundadores da Casa do Poeta de Alegrete. Premiado em diversos Festivais Nativistas do RS.
terça-feira, 10 de setembro de 2024
Urbanismos em áreas que condicionam o crescimento habitacional dentro do perímetro urbano
Luiz Adolfo Fernandez Grillo*
Publicamos, a seguir, as importantes contribuições apresentadas pelo arquiteto Luiz Adolfo Fernandez Grillo para subsidiar o debate de candidatos a Prefeito e vereadores frente ao tema urgente e fundamental do planejamento urbano de Alegrete, sobretudo considerando o período eleitoral que estamos vivendo.
1- Urbanismo em áreas de inundações:
Áreas atingidas pelo Rio Ibirapuitã
Áreas atingidas pelo Arroio Regalado/Restinga
Áreas atingidas pelo Rio Caverá.
A: Demarcação das áreas atingidas pelas enchentes.
B: Cadastramento de habitações atingidas pelas enchentes, número de unidades por lote, regularizado ou não e número de pessoas por habitações.
C: Na Restinga, cercamento gradativo e definitivo de toda área atingida pelas inundações, incluindo ruas e habitações, fazer monitoramento através de uma guarda montada, e fazer o remanejamento gradativo dos moradores conforme investimentos em loteamentos populares pelo poder público. Durante este processo, dar início nas instalações de um parque municipal, com áreas esportivas e de lazer, cujas instalações prediais de infraestrutura (vestiarios/sanitarios/administração) deverão ser executadas em cotas superiores às da enchente máxima).
D: Nas áreas contíguas ao Rio Ibirapuitã e Caverá, comunicar a transferência dos moradores para "outros locais". Em caso de moradores com título imobiliário definitivo, tratar os trâmites para acordos compensatórios e desapropriações.
E: Elaboração de projeto de paisagismo e Urbanismo de toda orla do Rio Ibirapuitã integrado à Avenida Eurípedes Brasil Milano, desde a Ponte Borges de Medeiros (inclusive acesso público a todas áreas no entorno do prédio do CTG Farroupilha) até o Parque do Porto dos Aguateiros.
F: Nos bairros Vila Nova e Canudos, deverão ser elaborados os mesmos serviços de evacuação das áreas atingidas, porém com controle de retorno diferente das outras áreas.
2- Urbanismo em torno da Rede Ferroviária.
Áreas com potencial turístico.
Áreas degradadas.
Áreas da Gare e Prédios auxiliares.
A: Recuperação dos Prédios da RFFSA, dar novas funções e usos (públicos ou privados) e a partir deles integrar o Bairro Vila Nova para dentro da cidade, através de projetos urbanísticos, além de dar outra opção de continuidade viária, para desafogar as duas possibilidades atuais.
B: No prolongamento da Avenida Alexandre Lisboa, em frente ao Praça dos Patinhos", na área contígua a área da ferrovia, projetar um passeio com áreas de exposições de produtos artesanais e feiras de frutas de época, preservando a área de acesso aos areeiros pelo pontilhão existente.
C: Em todo trecho, deverão ser cobradas da concessionária da Rede Férrea, sinalizações, manutenção e limpeza permanente.
3. Urbanismo contíguos a áreas militares:
Áreas externas às unidades militares:
Urbanização e pavimentação de passeios públicos.
Ações compensatórias com o município, em atividades de manutenção e limpeza urbana.
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Estrutura técnica/funcional para atender projetos:
1: Criação de um setor independente de Planejamento somente para gerenciamento destes projetos:
-Viabilidades
-Levantamentos técnicos
-Cadastro imobiliário
-Setor jurídico
-Projetos
-Financiamentos
-Avaliação permanente do PDDU.
RITO DA INDEPENDÊNCIA / GRITO DOS EXCLUÍDOS
Todos e todas temos imenso orgulho pela Independência do Brasil, cuja data cívica comemoramos no Sete de Setembro. Não obstante, a historiografia contemporânea nos diz que as ideias gerais que temos a respeito não correspondem exatamente aos fatos históricos daquela época. Mesmo o famoso quadro Independência ou Morte, pintado por Pedro Américo, que nos vem à memória ao repensarmos esses momentos, corresponde mais à imaginação do artista e à necessidade de afirmação do sentimento nacional brasileiro do que a acontecimentos reais. Pedro Américo nasceu vinte e um anos após a Independência e o quadro foi pintado sessenta e seis anos depois dela. Teve como inspiração outras obras que retratavam batalhas e feitos épicos europeus, sendo esse um pouco o espírito que o quadro quer nos inspirar.
Um detalhe, entretanto, talvez represente um pouco do sentimento crítico do pintor sobre esses acontecimentos. No canto de baixo, do lado esquerdo, aparece um homem do povo, possivelmente negro, vestido com roupas simples que contrastam com as vestimentas militares do próprio Dom Pedro e sua caravana, tocando um carro de bois e apenas olhando para a cena. É possível que o pintor queira, com essa imagem, transmitir a mensagem que a Independência foi forjada pelas elites, sem envolvimento algum do povo simples e trabalhador do Brasil.
Efetivamente, nossa Independência foi um arranjo de parte das oligarquias dirigentes com a Família Real dos Orleans e Bragança, de amplos lastros nas monarquias europeias, que estendeu compromissos até 1889. Diferentemente de outros países sul-americanos que juntamente com sua independência proclamaram a República e libertaram os escravizados, no Brasil isso só aconteceu com o final do Império, em1888 e 1889. Mesmo assim, como foi dito, nada deve abalar nosso sentimento de orgulho pela Pátria.
A pintura de Pedro Américo retrata o momento do Grito que sela nossa Independência. Porém, podemos pensar que esse, que é um grito dos altos poderes da nação, sufoca milhares ou milhões de outros gritos, os gritos de socorro, de horror, de fome, de abandono, de milhões de brasileiros e brasileiras, desde então até os dias de hoje. São gritos que ficam trancados nas gargantas porque não têm possibilidades, ambiente ou ‘autorização’ para se manifestar.
Esse é o motivo que levou setores da Igreja Católica Romana, como a Semana Social, as Pastorais Sociais e a CNBB, a criar, em 1993/1994, o movimento Grito dos Excluídos, hoje chamado Grito dos Excluídos e Excluídas, como uma forma de dar vez e voz a essa parcela massacrada e marginalizada da população. A data de referência é o Sete de Setembro aludindo ao Grito de Independência, mas também a que o Grito dos Excluídos e Excluídas deva ser ouvido e providências tomadas quanto à emancipação social e possibilidades de vida digna no país. Desde então, o Grito alcançou grande ampliação e é hoje um movimento ecumênico e inter-religioso e está presente em centenas de cidades.
Em que consiste o Grito dos Excluídos e Excluídas? É uma manifestação popular carregada de simbolismo, que integra pessoas, grupos, entidades, igrejas, pastorais e movimentos populares e sociais comprometidos com as causas dos excluídos e excluídas. Ele brota do chão e é vivido na prática das lutas populares por direitos. São realizados diversos tipos de programações, como caminhadas, desfiles, celebrações especiais, romarias, atos públicos etc., não apenas no dia, mas previamente e posteriormente a ele.
Neste ano, em que se comemora 30 Anos de Resistência do Grito, o tema é: Vida em Primeiro Lugar! E o lema: Todas as formas de vida importam. Mas quem se importa?
Neste Sete de Setembro haverá muitas programações em várias partes do país. Se em sua região se realizar alguma atividade em relação ao Grito dos Excluídos, não deixe de participar. É necessário somarmos forças, em toda a sociedade brasileira, em favor de vencermos nossas imensas disparidades sociais.
Prof. Luiz Eduardo Prates













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